VOCAIS INFLUENTES: BOBBY "BLITZ" ELLSWORTH (OVERKILL)
Se Chuck Billy do Testament foi o responsável pelos meus graves, Bobby
“Blitz” Ellsworth foi o responsável pelos agudos mais energéticos que já escutei,
e aliados a uma performance avassaladora de palco, credencio Blitz a um dos
maiores frontmen do planeta. Ele é um verdadeiro guerreiro. Quase não poderia
cantar devido a uma má técnica que usava, mas felizmente foi apresentado a um
especialista que o curou. Em 98 foi diagnosticado com uma forma agressiva de
câncer, e ele teve um pedaço do nariz retirado para que a doença não se
alastrasse. E em 2002, sofre um derrame no meio de um show na Alemanha, mas
mesmo assim Blitz continua firme e forte mostrando todo o seu talento e nos
brindando com seu poderoso vocal.
Reconhecido pelos agudos potentes e interpretações fantásticas,
esse grande vocalista consegue aliar a agressividade com melodia encaixando as
letras perfeitamente. Meu primeiro contato com o trabalho dele na banda Overkill
foi o clipe da música Elimination. E a partir daí fui pesquisando mais e mais seu
estilo. Desde a raivosa Rotten To The Core até a cadenciada In Union We Stand
podemos perceber o quanto é versátil a voz de Blitz. Só pra dar um exemplo
disso, o Overkill gravou um álbum só de covers – Coverkill – e lá vocês terão
um grande exemplo dessa versatilidade e do timbre feroz de pato selvagem com
vidro moído da voz de Blitz, um verdadeiro operário do metal.
Com o tempo me tornei fã incondicional desse cara, e para
sacramentar esse sentimento mais ainda, tive a honra de dividir o palco com esses
dois baluartes do thrash, Exodus e Overkill em uma turnê no ano de 2009. Me recordo de uma apresentação de Blitz que
foi no mínimo... memorável! Todas as bandas performaram muito bem, mas naquela
noite o Overkill estava infernal destilando seus clássicos numa energia absurda.
Talvez pelo fato de que até aquele momento, o Exodus estava comendo com farinha
o Overkill todas as noites. Obviamente, as bandas não estavam competindo entre
si, mas a quantidade de clássicos que o Exodus tirava da cartola era tanta, que
fez o Overkill abrir mão de duas músicas novas para colocar mais alguns
clássicos no setlist, e dessa forma as coisas começavam a virar pro lado deles.
Mas nessa noite, a energia estava muito boa. Uma vibe maravilhosa, e quando
entro no camarim me deparo com um Bobby Blitz, sentado em uma cadeira, cansado
mas feliz em ter feito o melhor show do Overkill naquela noite. Então, não me
contenho e digo em alto e bom som: “Tenho três influências de vocalistas de
thrash metal na minha vida, Max Cavalera, Chuck Billy e um certo cara chamado
Bobby “Blitz” Ellsworth!” Então, sozinho ali no canto do camarim, ouvimos a voz
dele dizendo: “Yes man, it’s me!”
Valeu Blitz!

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